Primeiramente, falar de crianças e mulheres no Carnaval é falar de direito à cidade, ao lazer e à cultura.
O Carnaval sempre foi mais do que festa. Ele é território. É linguagem popular. É um modo coletivo de existir na cidade. E, talvez por isso mesmo, esteja cada vez mais disputado.
O Carnaval sempre foi mais do que festa. Ele é território. É linguagem popular. É um modo coletivo de existir na cidade. E, talvez por isso mesmo, esteja cada vez mais disputado.
Nas ruas, vemos algo potente acontecer quando crianças e mulheres ocupam o Carnaval: a cidade muda de escala. O tempo desacelera, o corpo encontra o brincar, o cuidado vira prática coletiva. Slings, fantasias improvisadas, mãos dadas, pausas para água, sombra e colo. O Carnaval vivido assim não é excesso — é presença.
Falar de crianças e mulheres no Carnaval é falar de direito à cidade, ao lazer e à cultura. Direitos que não são acessórios, nem privilégios. São estruturantes de uma sociedade que se reconhece como diversa, sensível e viva. O espaço público não pode ser pensado apenas para quem consome, corre, produz ou performa força. Ele precisa acolher quem brinca, quem cuida, quem cresce.

No entanto, o que temos visto é um crescimento do julgamento moral sobre esses corpos na rua. Questiona-se a presença das crianças (“não é lugar”), vigia-se o corpo das mulheres (“exagero”, “exposição”), regula-se o prazer e o afeto. Esse movimento não acontece por acaso. Ele revela um incômodo profundo com a liberdade que o Carnaval carrega — especialmente quando ela não cabe em padrões de controle.
É curioso (e preocupante) que isso aconteça no Brasil, país que construiu parte de sua identidade justamente na mistura, no riso, no corpo em movimento, na festa popular. Quando o Carnaval passa a ser visto apenas como risco, desordem ou ameaça moral, o que está em jogo não é a proteção — é a exclusão.
Proteger crianças e mulheres, não é afastá-las da vida pública. É garantir que a cidade seja segura, diversa e compartilhada. Fortalecer mulheres não é confiná-las à discrição, mas reconhecer sua autonomia, seu desejo e seu direito de ocupar o espaço sem culpa.
Um Carnaval com crianças e mulheres não é um Carnaval menor. É um Carnaval mais humano. Mais atento. Mais conectado com o que realmente importa: o encontro, o cuidado, a alegria coletiva.
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Defender esse Carnaval é defender a cidade como lugar de todos. É lembrar que cultura não se restringe a palcos ou horários controlados. Ela acontece quando a rua vira casa, quando o corpo vira linguagem, quando a festa vira memória.
Que a gente não normalize o moralismo disfarçado de cuidado. Que a gente siga ocupando — com responsabilidade, afeto e coragem — aquilo que sempre foi nosso: a rua, a festa, a vida compartilhada.




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