PROCURA-SE: OURO LÍQUIDO

CONHEÇA OS BANCOS DE LEITE HUMANO QUE SALVAM VIDAS DE BEBÊS PREMATUROS

”O consumo exclusivo de leite materno protege o neném contra infecções, diarréias e gripes, ainda mais no caso dos prematuros.” Quem diz isso é a Dra. Fátima Maltoni, pediatra da UTI Neonatal de São Lourenço, no Sul de Minas Gerais. Ela também coordena o posto de coleta de leite humano da cidade, onde mães que amamentam doam o leite em excesso para os prematuros do hospital.

A Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano (rBLH-BR) foi criada em 1998, pelo Ministério da Saúde e pela FioCruz, Foi premiada pela Organização Mundial da Saúde(OMS)em 2001 como uma das ações que mais contribuíram para a redução da mortalidade infantil no Brasil, que em 10 anos, caiu cerca de 70%. 

No Brasil, atualmente, existem mais de 200 bancos de leite distribuídos pelo país, e cerca de 150 postos de coleta de leite humano. A diferença entre os dois é que, enquanto o banco de leite examina, avalia e pasteuriza o leite, tornando-o consumível para os bebês, o posto de coleta apenas recebe as doações de leite. Por isso, toda semana o leite doado em São Lourenço, é enviado para o banco de leite mais próximo, em Varginha, para ser pasteurizado e então reeviado ao hospital. Calcula-se que cada litro de leite doado alimenta cerca de 10 bebês por dia. 

Lorena, mãe de Dante, foi doadora em São Lourenço.

Lorena Machado (28), professora de filosofia e mãe de Dante, foi doadora em São Lourenço. Ela conta que começou a doar leite por incentivo da família: “O meu pai trabalhou numa emergência obstétrica lá em Niterói, quando a minha mãe tava grávida de mim,e ele via muitos bebês nascendo pequenos, bebês pré termo que precisavam muito do leite do peito. Viu o quanto que é difícil conseguir, então ele sempre salientou o quanto isso era importante. E aí por conta desse incentivo durante a minha gravidez, assim que o Dante nasceu eu me informei no hospital.” Para Lorena, doar leite foi algo muito recompensador:

“O processo de estar doando vida, de ver a minha maternidade acontecendo na vida de outras crianças foi uma grande conquista pra mim.”

Para doar, mãe e bebê passam por uma consulta com pediatra que avalia o ganho de peso e desenvolvimento do bebê e diz se a mãe está apta para doar. 

Em MG, existem mais de 7 mil doadoras de leite e mais de 4 mil bebês receptores das doações. Em 2018, até agora, 5.359,8 litros de leite humano já foram distribuídos à UTIs Neonatais do Estado. No Brasil, existem cerca de 150 mil doadoras. Em MG, existem 13 bancos de leite e 26 postos de coleta distribuídos pelo estado. 

No portal do Ministério da Saúde, é possível encontrar o Banco de Leite mais próximo, aqui.

Nos 4 primeiros meses do ano, o número de doadoras de leite caiu 5% em relação ao mesmo período de 2019. Com a pandemia, alguns postos de coleta deixaram de funcionar, e as doações caíram ainda mais. Os estoques de leite estão em baixa, e toda doação, por menor que seja, é necessária. 

Segundo dados do Ministério da saúde, em 2019, 222 mil litros de leite humano foram coletados que alimentaram 214 mil recém-nascidos, a partir da doação de 188 mil mulheres.

Podem parecer números bem altos, mas no Brasil por ano cerca de 330 mil crianças nascem prematuras e precisam da doação de leite. 

Infelizmente, o leite doado ainda não é suficiente para alimentar todos os bebês internados, sendo usadas então as fórmulas infantis. Mas, segundo especialistas, nada se compara ao leite materno, que é sempre o ideal. Apelidado como “ouro líquido” por mães e pediatras, para os bebês prematuros que recebem as doações, ele realmente vale ouro. 


Autor: Cheyenne Vieira

Autor: Cheyenne Vieira

Cheyenne é estudante de jornalismo, mãe do Ernesto, trabalha com fotografia e na comunicação da Dona Chica Slingueria. Está no Instagram @cheyenne.vieira

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